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Como a Coca-Cola enfrentou o TiVo nos EUA

Valor Econômico - 22/10/2007


Na época em que morou em Atlanta, Fort, assim como milhões de telespectadores americanos que desfrutam das comodidades da TV digital, podia decidir quando e onde assistir o conteúdo desejado usando gravadores como o Dish DVR e o TiVo. Além de gravar as atrações sem precisar de um meio físico (fitas, CDs ou DVDs), estes equipamentos permitem a seleção do conteúdo por tema (todos os programas de música, por exemplo), por ator, por gênero (comédia, drama, documentário etc) e outros filtros. O comercial também entra, mas pode ser ignorado com o botão "avançar".


No Brasil, tanto os aparelhos de TV com a tecnologia digital integrada, quanto os conversores do sinal analógico para o digital e os gravadores digitais deverão ser produzidos no país. "Nós nos baseamos no padrão japonês de TV digital, mas desenvolvemos um modelo próprio, que tem as suas especificidades", diz Paulo Henrique Castro, coordenador do módulo técnico do Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (SBTVD). Ou seja, o TiVo ou o Dish DVR importados não funcionarão no mercado brasileiro.
Castro trabalha na comissão da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que está definindo as regras para operação da TV digital. Segundo ele, seis módulos já foram concluídos, enquanto outros seis estarão em consulta pública até 5 de novembro. "Até o dia 20 do próximo mês, devemos ter a norma técnica publicada", diz.


Um dos itens já definidos proíbe a produção no país de gravadores digitais capazes de "pular", automaticamente, intervalos comerciais. "Hoje, isso já não é possível, porque a emissora precisaria emitir um sinal diferente para o aparelho entender que aquilo é um comercial e o excluir", diz Castro. "Mas, como a tecnologia é muito dinâmica, esta determinação visa proteger o faturamento publicitário da TV aberta", diz ele, que também é gerente do departamento de projetos de transmissão digital da TV Globo. Castro diz, porém, que o consumidor poderá fazer a sua gravação digital.


Independentemente do nível de controle do usuário sobre a programação, há quem procure depender cada vez menos dos anúncios de 30 segundos, como a Coca-Cola. Nos EUA, a empresa chegou a fazer parcerias comerciais com a TiVo. "A Coca-Cola colocou a sua logomarca no menu que aparece na tela da TV, sempre que o usuário selecionava programas de música, por exemplo", diz Fort. Ajudou o fato de Chuck Fruit, ex-vice-presidente de marketing da Coca-Cola nos EUA, ter integrado o conselho de administração da TiVo.


Por aqui, a multinacional vem intensificando sua presença no conteúdo da TV, fora dos intervalos comerciais. A empresa criou com o canal de música MTV o programa "Estúdio Coca-Cola", que reúne artistas de gêneros diferentes. "Foi um conteúdo elaborado a quatro mãos, o que é bem mais difícil do que aprovar uma campanha feita pela agência", diz Fort. "Nós tivemos que encontrar uma fórmula relevante para o público deles, nosso 'target', e que ao mesmo tempo fosse viável para nós comercialmente", afirma o diretor, que não revela valores.


Mesmo sem bancar um programa exclusivo, há formas de garantir espaço no conteúdo de maneira não impositiva, diz Fort. "Para isso, é preciso entender o contexto da atração e criar uma mensagem pertinente, que não seja encarada como puro merchandising". Como exemplos, ele cita a ação da série "A grande família", na Globo, que incentivou o uso da garrafa de vidro retornável, e do programa feminino "Hoje em dia", da Record, que abordou a reciclagem de garrafas PET. "São ações de merchandising que destacam a informação, não apenas a marca ou o produto", diz Fort, que encara a TV digital como um incentivo para a publicidade pensar soluções mais criativas do que o comercial. "É um caminho sem volta", diz ele.(DM) Fonte: Valor Econômico

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